Lupicínio, o bar Naval e o Grêmio.

     Uma fantasia recorrente da minha imaginação é ter uma máquina do tempo para conhecer figuras de destaque do passado que eu admiro. 

     Ok, estou em Porto Alegre no fim dos anos 50. Meio de ano. Está frio. Eu entro no Mercado Público e vou ao restaurante Naval. Sei quem eu vou encontrar. Ele é figura fácil ali. Lupicínio Rodrigues. Vejo-o pegar um guardanapo para rabiscar alguns versos. Era hábito. Também está elegante em seu terno, outro hábito. Resolvo me aproximar, mas não gosto de incomodar. Chego perto da mesa dele: 
     - Boa noite, Lupa. 
    A voz mansa e o sorriso calmo e simpático também eram características naturais. Características pessoais que destoavam de suas canções de fossa. Ele me sorri: 
     - Boa noite, 
     Fico sem assunto e para estruturar um começo de conversa resolvo falar do Grêmio. Lupicínio era gremista ferrenho, autor do hino do clube. Mas fiz cagada: 
    - Lupa, venho do século XXI. O Grêmio perdeu do Bahia por 3 x 1 e está quase rebaixado e... 
    A fisionomia dele mudou, De tranquila felicidade foi à ira. 
    - QUÊ? FORA, SEU FOLGADO! FORA! 
    Percebi a besteira que fiz ao falar mal do Grêmio e me afastei. Os garçons me contaram depois que ele compôs uma canção bem triste. 
     - Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei...
         

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