terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Reneè Fleming. You'll Never Know, trilha sonora de A Forma da Água. (ATUALIZADO)

     O compositor Alexandre Desplat é um dos bons valores das composições para cinema da atualidade. Já ganhou um Oscar com o tema para Grande Hotel Budapest, em 2015. O trabalho dele para o filme A Forma da Água é um dos concorrentes em 2018. Mas You'll Never Know, que faz parte da trilha, é uma canção dos anos 40 e que já ganhou o Oscar com o filme Aquilo Sim Era Vida (Hello, Frisco, Hello).  É bonita, romantismo grau 11,8 em uma escala de 0 a 10. Muita gente gravou. No Brasil, Antonio Marcos lançou a versão Eu Vou Ter Sempre Você. Coube a Desplat, portanto, apenas o arranjo atualizado. A interpretação é da soprano americana Reneè Fleming, "the beautiful voice".




ATUALIZAÇÃO: a versão de Antonio Marcos:

Eu Vou Ter Sempre Você.

Propaganda internacional. Oiko Credit. Índia.

     Ehehehe, achei até meio engraçado esse troço. A moça quer montar a sua própria confecção para parar de trabalhar de empregada. E ela canta a musiquinha, com aquele jeito de miado de gato dos indianos.

     Ok, agora um raciocínio sério. O filme não diz, mas quem tem visão de mundo sabe que na Índia existem muitos trabalhadores na condição análoga à de escravo.. 




segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Lançamento. Coragem! As Muitas Vidas de dom Paulo Evaristo Arns.

     Vale a pena divulgar isso. Não sei onde está sendo projetado. Vou procurar. Mas foi lançado dia 14 de fevereiro. É daqueles produtos culturais difíceis de distribuir comercialmente, embora de importância fundamental. Trata-se do documentário de Ricardo Carvalho sobre o já falecido arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns.

     A Igreja Católica teve muitas atitudes pusilânimes ao longo de sua já longuíssima trajetória. Podemos destacar a famigerada Inquisição, o silêncio diante do Nazismo e, por último, os grandes escândalos de abusos sexuais. Este último tópico pode ser abordado como um certo exagero americano. Abusos existem em todos os setores da sociedade humana.

     Mas vamos, enfim, ao grande dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016). Ele ocupou o cargo de arcebispo da cidade de São Paulo durante os anos de chumbo da ditadura militar. Jamais se curvou diante do regime de exceção que comandou o Brasil por trinta anos. Jamais silenciou ou se omitiu. Agiu corajosamente na defesa de condenados e fugitivos. Acima das ideologias políticas, dom Paulo vestiu a difícil coerência cristã para defender, acima de tudo, a vida e a dignidade humana. Entrou para a história como uma unanimidade heroica. Pode ser comparado com o salvadorenho dom Oscar Romero. Dom Paulo não foi mártir, como Romero, mas tinha a mesma visão da obrigação cristã da defesa da vida e da liberdade de pensamento, de religião e de expressão.




     E vejam que curioso. Dom Paulo teve, pelo menos em tese, biografia mais pura do que a do hoje Papa, dom Jorge Mario Bergoglio, carismático, simpático, de sorriso doce, mas cuja atividade em Buenos Aires é contestada por alguns. Releve-se que a ditadura argentina foi muito mais sanguinária do que a brasileira. Mas há histórias sobre o Papa Francisco, como a que envolveu dois jesuítas sob seu poder, que desapareceram para voltarem salvos depois. Há quem afirme, embora ninguém confirme, que foi a Igreja quem denunciou seus membros. Aqueles que defendem dom Bergoglio dizem que não, pelo contrário, foi ele quem lutou, também com muita coragem, pela libertação de seus comandados junto aos perigosos e ignorantes  brucutus das Forças Armadas argentinas 

     E mais. Questionemos, afinal, por qual razão dom Paulo não chegou ao papado e dom Helder Câmara, arcebispo de Olinda, nunca ganhou o Nobel da Paz. Talvez tenham sido politica e humanamente vanguardistas demais, coerentemente cristãos demais para o tempo em que viveram. O cristão coerente pode ser encarado por mentes mais bárbaras como um "comunista", embora esteja longe de ser.
  

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A História de Edith e Eddie.

     Ti bunitinho, gente. Indicado ao Oscar de curtas de 2018, Edith + Eddie conta a história do casal interracial mais velho dos Estados Unidos. Noventa e cinco e noventa e seis anos. Conheceram-se faz dez anos, fazendo a fezinha na loteria. Ele era viúvo e... bem, assistam aí.

 

    O amor novo é sempre revelador e instigante, não importa a idade dos amantes. O amor antigo é que é o carma, o difícil de manter. Atualmente, com as alterações culturais vigentes, poucos conseguem. Qualquer bafo de onça, qualquer peido embaixo da coberta ou xixi fora da tampa é motivo para separação. É a vida. Mas parabéns ao casalzinho do filme. Que durem muito, e sempre juntos.

     Edith e Eddie se conhecem faz dez anos. É o limite de tempo, em média, para casais mais jovens começarem a fazer água. Mas o Eddie e a Edith não possuem mais nenhuma expectativa na vida a não ser aturarem a si mesmos. E aturar é o grande segredo do amor verdadeiro. Nunca se esqueçam. O amor começa com fogo, mas vai se apagando. 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Curta documentário. Chau, Beyond the Lines (Chau, além dos limites),

     É assustador constatar que, mesmo passados mais de quarenta anos do fim da guerra, o Vietnã ainda apresente sintomas dos ataques com o famigerado "agente laranja", lançado por tropas americanas. Este filme mostra uma instituição que cuida de crianças e adolescentes que eles dizem ser resultado dos efeitos do herbicida devastadoramente lançado sobre a selva. Indicado para o Oscar 2016 no quesito curta documental, o filme foi premiado em vários festivais nos Estados Unidos e mostra de maneira central o garotão Chau, que quer ser artista gráfico e estilista. 




quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Cem anos de Jacob do Bandolim.

     É obrigatório postar isso devido a importância que possui na história da MPB. Jacob do Bandolim, Conjunto Época de Ouro, Zimbo Trio e Elizeth Cardoso. Os dois volumes da gravação feita ao vivo no teatro João Caetano, Rio de Janeiro, em 19 de fevereiro de 1968, são considerados os melhores registros de Música Popular Brasileira de todos os tempos. Seja pela técnica dos envolvidos, seja pela escolha de repertório. Um show histórico. Dizem que chovia muito do lado de fora do teatro. Já vi listinhas de melhores pra lá e pra cá que ignoram isso. É desconhecimento. As novas gerações desconhecem esta obra-prima. Clique na foto de Jacob e da "Divina Elizeth" e ouça.

     Este material está fora de catálogo. Encontrar é difícil. Eu tenho em esmeradíssimo estado de conservação. Não empresto nem pra Jesus Cristo se ele me pedir na missa da Paróquia do Belenzinho.



Jacob do Bandolim, Zimbo Trio e Elizeth Cardoso. Volume II.

    Sempre vale destacar e recordar a intimidade profissional entre Jacob e Elizeth. Foi ele quem descobriu a cantora, ainda meninota, e pediu licença ao pai dela para levá-la a uma rádio para testes.

Os cem anos de Jacob do Bandolim.

     Nascido no Rio de Janeiro em 14 de fevereiro de 1918, comemoramos hoje o centenário de um dos maiores instrumentistas brasileiros, Jacob do Bandolim. 

     Vamos resumir. Há quem diga que eu sou um  mestre em resenhas. Pois vamos lá. Jacob era filho da cafetina judia polaca Rachel Pick com o farmacêutico Francisco Gomes Bittencourt. Foi criado na Lapa, na "casa de saliências" da mãe dele, e teve formação praticamente autodidata. Mais tarde, casado, mudou-se para Jacarepaguá, onde promovia em sua casa saraus que ficaram conhecidos nos anos 60 por reunirem o melhor do melhor da MPB. Apesar de ter vivido o século XX e de ter participado de vários programas de auditório na TV, não deixou quase nenhum vídeo, apenas fotos e áudios. Seus admiradores ainda procuram desesperadamente, inconformados, algum vídeo que mostre o ídolo em movimento e atuando. Jacob faleceu de infarto fulminante em 1969, lá na casa dele, em Jacarepaguá. Tinha como característica que marcava sua genialidade a forma da palhetada, a maneira de tirar o som do instrumento. Além disso, seus inscríveis instrumentos eram feitos por encomenda. Eram instrumentos fantásticos, até hoje inigualados e feitos por mãos mágicas. Estão sob responsabilidade do MIS carioca. Havia dois, simplesmente chamados de nº 1 e nº 2. Por fim, cumpre lembrar que Jacob era, além de músico, servidor público da justiça como escrevente de um cartório criminal do fórum do Rio, e também estudioso e catalogador do choro. 

     São muitas as gravações e é difícil escolher alguma coisa para postar. Mas vai aí, na íntegra e com boa qualidade de áudio, o mais conhecido LP dele, Vibrações, de 1967. Clique na foto que traz Jacob em pleno estúdio RCA Victor, em 1967, gravando Vibrações.



Drops. 14.02.2018.

     Anhembi.

     Acadêmicos do Tatuapé vence o desfile de São Paulo.

     Hoje teremos o resultado do Rio de Janeiro. A Paraíso do Tuiuti chamou a atenção com o tema que criticou o governo Temer. Foi o destaque da mesmice. Apenas por isso, merece levar o título. Mas aposto que não levará. 

     O Pasquim.

     Ao pesquisar sobre O Pasquim, semanal carioca dos anos 70, referência do humor contra a ditadura, acabei por descobrir que no mundo de Harry Potter há uma revista chamada Quibbler, tradução literal "sofista", mas que em português tem a singela tradução para O Pasquim. 

     Sofistas eram os filósofos gregos que atuavam mediante pagamento. Defendiam determinada ideia a soldo. E a tal Quibbler é a revistinha do mundo de Harry Potter. Segundo li, publica bobagens. Ah, é, é? Caraca, hein? No mundo de bobagens e J. K. Rowling, a Quibbler publica bobagem? É a bobagem da bobagem?

    Enfim, considero a tradução de Quibbler para O Pasquim como uma ofensa.

     O rádio.

     Ontem foi comemorado o dia Internacional do Rádio.

     Gosto de rádio. Sempre gostei e sempre ouvi. Cresci ouvindo todo tipo de programa. O rádio nem sempre é qualidade. O que conta é o espírito. Às vezes sinto arrepios só de pensar que a internet, essa alma penada da modernidade, pode acabar com ele.
  

Virais quase engraçados. 14.02.2018.

O amor é lindo.

   

Publicidade internacional. Centrepoint. The Boy Nobody Could See.

     Filme legal da Centrepoint, instituição de caridade inglesa. Pelo menos é essa a informação que eu obtive, seja lá o que isso for. Bem, o filme é bacana e mostra o garotão apaixonado e de personalidade invisível. Há muitas pessoas assim. Escondem-se do mundo de forma natural. O escritor Paulo Coelho vê aspectos positivos nisso, mas trata daquele invisível que só fica invisível quando quer. Enfim, vejam aí. 



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Bossa nova, 60 anos. Claudine Longet e Nothing to Lose.

     A bossa nova, que, dizem, começou no Beco das Garrafas, em Copacabana, em 1958, completa 60 anos em 2018. Segundo o José Ramos Tinhorão, a bossa nova tem uma batida de jazz e não tem nada de genuinamente brasileira. O Tinhorão, ou Tinhosão, segundo desafetos, comprou grandes brigas com isso. 

     Mas, enfim, e falando nisso, vejam que curioso. E bunitinho. Em A Festa (Blake Edwards, 1968), Claudine Longet canta Nothing to Lose. A bossa é o ritmo brasileiro que mais se espalhou pelo mundo. Gostem dela ou não, é cantada no Japão, na Finlândia, em Liliput e até na perdida Ilha da Caveira, do King Kong. Esta canção não é de Jobim, nem de João Gilberto, mas do maestro americano Henry Mancini. A letra é de Don Black. 

      A Festa (The Party) é um grande momento do ator e comediante britânico Peter Sellers, que também dava vida ao inspetor Jacques Clouseau, da série Pink Panther. Claudine Longet canta Nothing to Lose enquanto o idiota Hrundy V. Bakshi (Sellers) que ir ao banheiro.




     By the way, aliás, e falando nisso, o filme The Party, que no Brasil tem o título trapalhão de Um convidado Bem Trapalhão, será apresentado hoje à noite no canal a cabo Telecine Cult. Quem paga a TV a cabo, boa diversão. É uma comédia clássica que vale conhecer. O ator indiano Hrundy V. Bakshi (Sellers), idiota de pai e mãe que quer fazer carreira, é convidado por acidente para uma festa de arromba na casa de um produtor de Hollywood. Há cenas hilárias, como a do jantar servido pelo garçom bêbado.
  
     Eu sempre gosto de lembrar que Sellers era neurótico, chato e pretensioso. Desprezava as comédias populares de Edwards que estrelava. Mas foi com elas que ficou famoso e rico.
  

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Vencedora do Festival de Sanremo 2018. Non Mi Avete Fatto Niente.

     Na era das imigrações infames, da crescente retomada do fascismo e do avassalador perigo do terrorismo, Sanremo privilegia a canção que fala das relações humanas em um mundo cada vez mais revolto. A canção é interpretada pelo ítalo-albanês Ermal Meta e por Fabrizio Moro.




     Coincidentemente, na noite de ontem o cantor e apresentador Claudio Bagnoli armou uma polêmica ao imitar Mussolini no palco do lindo Teatro Aristom. Foi apenas um momento infeliz, um escorregão. Bagnoli não tem pretensões fascistas. Mas a coisa rendeu. Muita gente desceu o pau.

Drops. 10.02.2018.

Puxa, falei dele na postagem de ontem, da menina Nicolly. 

G1 Globo. Morre no Rio o compositor Niltinho Tristeza.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Nicolly Queiróz. Tristeza.

     Tristeza, por favor, vá embora, é carnaval, hehe. Qui lindo, viu, gente. Gracinha. Maravilha mesmo. A pequena Nicolly Queiróz e o samba Tristeza, de Niltinho Tristeza e Haroldo Lobo. Chorei de alegria ao ver isso. A menininha é incrível. E nasceu dentro do Vai-Vai. Isso vai ficar no topo das postagens até o fim do carnaval. 

     E este samba tem uma historinha bacana. Foi composto no ínicio da década de 60, inicialmente por Niltinho, depois de uma briga com a namorada. Haroldo Lobo, compositor experiente, ouviu e gostou mas deu o palpite: está muito longo, corta isso, isso e aquilo. Haroldo deu uma "enxugada" na coisa e ficou essa obra-prima, gravada com extremo sucesso por Jair Rodrigues, em 1965. Segundo Niltinho, Haroldo não chegou a ouvir o samba gravado. Faleceu alguns meses antes. 




     Jesus Cristo, olha o chapeuzinho do "Curíntia" do pai da Nicolly, pendurado ali na parede.