Dia 13 de abril, dia da mulher no samba.

     O samba, como toda atividade da sociedade humana, tem origens machistas. Compositores eram todos homens. Mulheres eram aceitas como cantoras. Também como tudo, o samba vem mudando e as mulheres conquistam seu espaço. O Dia da Mulher no Samba foi convencionado para o dia 13 de abril porque é o dia do nascimento de dona Ivone Lara, um ícone, uma pioneira da presença feminina no samba. Era enfermeira e o reconhecimento veio tardio. Musicalmente, para ser sincero, tenho outras preferências, mas jamais deixarei de concordar com o merecimento de dona Ivone Lara. Ela faleceu ano passado. Em abril. Faz um ano. 



     A minha restrição a dona Ivone Lara, só para me justificar, não vem da pessoa dela ou da arte que ela fazia. Vem do gênero que ela interpretava, o samba partido alto. Acho, e isso é opinião pessoal, e não quero confrontar ninguém, que o samba de raiz é pobre como música. É quase atonal, pá pá pá pá. Sou habituado a outros gêneros mais ricos em melodia, como o choro. É isso. Só isso.

     E, enfim, devo lembrar de Elza Soares, também pioneira, mulherzinha guerreira que enfrentou, ainda menina, a grosseria de Ary Barroso, e que tem musicalidade muito mais esfuziante, pelo menos para mim.
     

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