A Vila vai virar sertão. Bloco Nem Sangue Nem Areia.

     O bloco Nem Sangue Nem Areia, da minha querida Campinas, do meu querido bairro pátrio da Vila Industrial, divulgou o samba para este ano. Não gosto de dizer querido isso e querido aquilo mas, enfim, eu amo meu berço. Se eu tiver de cantar a minha aldeia e o rio que passa pela minha aldeia, é a Vila que eu canto. Vale lembrar que o Nem Sangue Nem Areia surgiu ainda na década de 40 como ironia ao sucesso do filme Sangue e Areia, direção de Roubem Mamoulian, com a estrela da época, o ator Tirone Power, no papel de um destemido toureiro. O Nem Sangue era uma escola de samba até os anos 70. Depois, em crise, desapareceu. O meu amigo Helder Bittencourt Peruche a resgatou, décadas depois, como bloco, e aí está. O Helder faleceu em 2014 e nos deixou esta linda herança que precisa ser regada, cultivada e preservada. 



     A inspiração do bloco vem, evidentemente, da frase atribuída a Antônio Benedito Maciel, o profeta Antônio Conselheiro, líder do povoado de Canudos, no sertão da Bahia, que o fundamentalismo republicano do Exército Brasileiro, sob a acusação de "monarquismo", varreu do mapa na virada dos séculos XIX e XX. 'O sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão' é uma frase mítica e sem registro histórico algum. O escritor Euclides da Cunha, o mais brilhante, presencial, testemunhal e único relator detalhista da Guerra de Canudos, no livro Os Sertões, não a menciona.
  

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