quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

ANIVERSÁRIO DE SAMPA


Hoje é feriado em Sampa. A cidade faz quatrocentos e cinquenta e não sei quantos anos.

Como todo campineiro, tenho relações com São Paulo. Todo campineiro vai lá, de vez em quando, por um motivo ou outro.

São Paulo é sempre dez vezes mais do que Campinas em tudo. Meu querido amigo e leitor campineiro, pode pensar aí qualquer detalhe que Campinas possua, e que você gosta ou odeia, que São Paulo é dez vezes mais. Nas vantagens e nos problemas.

Há os campineiros que vão aos shoppings luxuosos, há os que vão conferir os shows e restaurantes da vocação de Broadway tropical que a simplória Campinas não oferece, há os que vão às grandes avenidas de vidro, a negócios, e eu, advogado, vou ao fórum e ao TJ, que ficam no centrão velho.

É no centrão que eu me acho. Para ir longe, vou ali, até o Bexiga pra ver, como disse Geraldo Filme.

Pelas esquininhas da boca do lixo, ladeando e espreitando as bancas de jornal que vendem revistinhas de sacanagem na Av. Rio Branco, eu vou caminhando e pensando nos textos de Marcos Rey. Se estiver frio e garoando, melhor ainda.

E nada mais saboroso do que atravessar a Praça da Sé. Lá tem o forró, o índio da garrafada milagrosa, o boliviano dos CDs e os pastores da verdade divina.




BÔNUS. ELIS E ADONIRAN, EM 1978. Ela, gaúcha, adotou a cidade com amor invejável e foi a melhor cantora de MPB de todos os tempos. Ele, valinhense (o que quer dizer quase campineiro), fincou os pés em Cidade Ademar (zona sul, pra lá do aeroporto de Congonhas) e deixou a poesia naif que não envelhece e é símbolo eterno da metrópole amarga, doce, feia e linda ao mesmo tempo.

Eles se encontraram várias vezes ao longo das existências. Podemos dizer até que eram amigos. E ser amigo da Pimentinha, meu chapa, não era coisa pra qualquer um.

Elis gravou e transformou Saudosa Maloca (aos 6:00 min. aí deste vídeo) em um lamento. A crítica não gostou. Mas Adoniram aprovou.


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